Lucas Jozino segue passos do pai e fala sobre jornalismo policial e investigativo: “Tenho um mestre em casa”

 

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Lucas, ao lado de José Paulo de Andrade, referência do jornalismo de rádio brasileiro, nas instalações da Rádio Bandeirantes. (foto: arquivo pessoal)

Matheus Macarroni – 1º semestre de Jornalismo

Lucas Jozino, da Rádio Bandeirantes, conversou com a equipe do DONC sobre relacionamento com possíveis fontes no jornalismo e sobre o perigo de ser um jornalista investigativo. Lucas é filho do aclamado jornalista Josmar Josino, que trabalhou em veículos de comunicação como a Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde Diário Popular. (Leia a entrevista com Josmar, aqui no DONC)

DONC- Como se deu a sua trajetória até a rádio Bandeirantes. Como você chegou onde está hoje?

Lucas Jozino- Eu nasci no meio do jornalismo. Meu pai é repórter e me levava, desde pequeno, nas principais redações dos jornais impressos de São Paulo. Me mostrou como é difícil e gratificante o trabalho de um jornalista. Mas, não queria que me tornasse um. O motivo: as ameaças da profissão. Cheguei a cursar um semestre de engenharia mecânica. Não foi o que queria. Sempre soube que o jornalismo pode mudar o mundo e combater as injustiças. Larguei a matemática e ingressei na faculdade de jornalismo. Em 2015, eu fui correspondente de Itaquera, o bairro onde moro, no Blog Mural da Folha de São Paulo. No ano seguinte, entrei como estagiário na Rádio Bandeirantes, hoje sou produtor e repórter.

DONC- Você citou o perigo que um jornalista pode correr. Como é essa rotina de repórter investigo com relação ao perigo? Você geralmente evita alguma matéria que considere perigosa? O que você faz para não correr tanto perigo?

Lucas Jozino- Ainda estou começando na reportagem. Mas, aprendi que tudo se baseia na verdade. Para se alcançar o objetivo, deve se ouvir todos os lados da história, para que não haja injustiça. Dizendo a verdade com ética e imparcialidade, não precisa ter medo dos riscos. O perigo anda lado a lado do repórter investigativo. Não evito histórias. Procuro contá-las de forma verdadeira e correta. Assim, não vou correr perigo.

DONC- Seu pai, Josmar Jozino, é um grande jornalista. Até onde isso influenciou você a seguir essa carreira? E sobre isso também, há pessoas que tentam tirar seus méritos por ter chegado aonde chegou, alegando sua paternidade ou seu contato prévio com o meio jornalístico?

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Foto: arquivo pessoal

Lucas Jozino- Ele me influenciou 100%, direta e indiretamente. Cresci lendo as histórias que ele escrevia. O trabalho que ele fazia, de viver na rua, observar, olhar e ouvir, me apaixonou. Minha infância e adolescência foi presenciando os bastidores de um repórter. Aí não teve outra, quis me tornar um. Sempre foi meu sonho: ser um repórter. Contar às outras pessoas o que acontece na cidade, o que ninguém vê, o que é difícil de escutar, mas que seja necessário que todos saibam. Isso me motiva a cada dia.

Ser filho de um repórter não é tão simples. Muitos jornalistas experientes trabalharam com Josmar Jozino. Carregar este sobrenome é um peso grande. Já vem com uma reputação, que não pode ser manchada. Isso gera uma pressão. Por outro lado, tenho um mestre em casa. Ele me ensina e me ajuda em muitas coisas. Nunca alguém tirou meu mérito em algo que consegui por causa de meu pai. Até porque eu preciso e sou obrigado a andar com as próprias pernas. É o meu dever. Sempre com humildade. Tive que fazer testes para entrar nos lugares como qualquer outro candidato.

DONC- Qual foi a matéria que você mais gostou de fazer? E qual foi a com o qual você mais se decepcionou?

Lucas Jozino- Uma professora foi baleada na cabeça durante uma tentativa de assalto. Ela estava dentro de um carro, no banco do motorista. Ao lado, estava a filha. Com muita apuração, descobri dados do homem que a matou. Baseado nas informações da matéria, foi provada a participação e ele foi condenado. Acredito que o jornalismo ajudou a se fazer justiça. Esta não a matéria que eu mais gostei de fazer. Mas, foi a mais justa.

Certa vez, um garoto de 10 anos, suspeito de roubar um carro, foi morto por um policial militar. Tinha pouquíssimas semanas de experiência na reportagem. Entrevistei a mãe da vítima, com todo cuidado e respeito. Não forcei, ela aceitou falar. Mas, acredito que precisava de mais repertório para fazer algo assim. Uma palavra mal colocada pode ser cruel. Não me decepcionei com o resultado, a reportagem. Aprendi lições neste caso.

DONC- Você, como repórter investigativo, lida com situações muito delicadas, como por exemplo. Como é, para você, abordar pessoas relacionadas com tais casos, como por exemplo a mãe da vítima neste caso sobre o qual acabou de me contar.

Lucas Jozino- Ainda não sou um repórter investigativo. Pretendo ser. Trabalho pra isso. Faço pouquinhos casos de investigação. Mas, como neste caso, não é fácil abordar alguém com uma relação próxima a uma pessoa que acabou de morrer. Antes de sermos jornalistas, somos seres humanos. Nos emocionamos. Preciso ter a cabeça no lugar, fazer as perguntas certas e respeitar ao máximo o entrevistado. A mãe do garoto que foi morto me ensinou que antes de tudo, o repórter precisa ouvir para depois falar.

DONC- Você costuma manter um bom relacionamento com possíveis fontes? Como você costuma abordá-las? E você acha que isso pode, de alguma maneira, ser visto como algo um pouco interesseiro?

Lucas Jozino- Um bom repórter tem muitas fontes. Em todos os lugares. Desde quem passa a informação sobre um caso de roubo a uma farmácia até uma prisão na Operação Lava Jato. Procuro ter uma boa relação com a fonte, sempre profissional. Quando a pessoa percebe a ética e o compromisso com a verdade do jornalista, ela entende o profissionalismo. Isso reduz o interesse de ambos os lados. Preciso deixar claro que ainda estou no começo de uma carreira, sou novo na produção e reportagem.

DONC- Por último, quais as suas ambições para sua carreira?

Lucas Jozino- Trabalho para ser um repórter ético, responsável e leal. Contar histórias de pessoas para outras pessoas. Já pude realizar um sonho de trabalhar ao lado do mestre José Paulo de Andrade. Mas, tenho muitos outros. Quero sempre trabalhar, trabalhar e trabalhar. Gosto muito do que faço. A reportagem é a minha vida.

 

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