Débora Alfano e os desafios do Jornalismo ao Vivo

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Bruna Bonato (1º semestre)

A repórter, radialista e apresentadora da Band News, Débora Alfano, apresentou uma palestra sobre Jornalismo ao Vivo para os estudantes da ESPM. A equipe do DONC entrevistou a jornalista após a palestra na Semana dos Cursos da ESPM-SP, que ocorreu no último dia 26, no auditório Victor Civita.

Ela contou, inicialmente, que há uma rotatividade maior de homens e mulheres coapresentadores, quando questionada se sentia falta de mulheres neste ramo de trabalho. “O BandNews São Paulo, 2ª edição, eu apresento com a Gabriela Mayer e o Renan Sukevicius, então tem a presença de outra mulher, e também no Tarde BandNews atualmente tem a Isabel Mega, uma grande repórter de Brasília que veio à São Paulo. Geralmente na TV é apresentado um homem e uma mulher, para trazer um equilíbrio muito provavelmente”, explicou.

Débora, ao ser questionada sobre ter cometido ou não as “barrigadas” jornalísticas justamente por apresentar um programa de teor ao vivo e sem cortes, esclareceu dizendo que nunca passou por isso anteriormente justamente por ser início de carreira, e também, por várias das notícias passarem por um aval da “chefia”, sendo tudo muito conversado e decidido antes de entrar no ar. “Pelo fato de eu trabalhar com hard news, ou seja, não fechar o jornal com uma matéria exclusiva à algum programa e na realidade ser tudo imediato desde tragédias diversas à pronunciamentos e acontecimentos do momento, não me ocorreu de falhar em informações. O melhor não é publicar antes e rapidamente ter o furo, mas sim, checar para ter certeza do que eu estou falando”, adicionou.

A apresentadora explicou ainda que, em seus anos como “foca”, o fato de ter começado a trabalhar logo numa grande emissora foi muito positivo como forma de adquirir experiência. Ela contou que seus primeiros seis meses foram durante a madrugada e serviu como aprendizado de forma significativa por ter feito com que Débora se sentisse mais desenvolta a apresentar pela menor audiência deste horário. No canal da emissora no Youtube, foi visto um vídeo cuja jornalista responde um ouvinte o qual questiona a hipocrisia do governo, logo no início da pandemia, por liberar transportes públicos lotados, mas restringir a ida ao litoral nos feriados pelo contágio. A pergunta feita foi em relação a mudanças de hábitos que ela teve de fazer pela maior exposição online e o crescimento desacerbado do acesso às redes com o intuito de se permanecer imparcial e fora da zona de críticas e ataques cibernéticos.

Alfano esclareceu que não gosta muito das redes justamente pelos famosos haters, ou então os robôs gerados por pessoas a fim de provocar xingamentos e reações negativas dos que apresentam os jornais online. “De medidas preventivas digamos assim, na rádio, as mensagens que chegam com intuito negativo eu não leio e ignoro, acho que é o melhor caminho, são raras as vezes que eu respondo ouvinte, ainda mais no ar, geralmente acontece pelo Whatsapp. E assim, eu estou lá para transmitir notícias e trazer opiniões adversas, então sempre terá alguém que discordará de certa forma. Acho que quando é algo num teor muito grave, é denunciar e bloquear, apesar de eu nunca ter recebido ataques diretos”, afirmou.

Por último, foi perguntado as medidas tomadas pelo jornal e pela rádio quando se iniciou a pandemia, devido ao isolamento. A apresentadora disse que, logo nos primeiros meses, foi feito um revezamento em que 90% da equipe estava trabalhando em casa, home office. Assim como a operação de áudio, mesa e microfone que também foi revezado, Débora passou a ir uma semana sim, outra não. Ao longo do tempo, foi posto acrílico no estúdio para manter o distanciamento, além da higienização duas vezes ao dia. “Cada profissional passou também a ter sua própria espuma no microfone. E, ao apresentarmos o programa, ficávamos separados, de forma que um apresentador se instalasse em frente à câmera, e o outro, fosse projetado em um telão por trás”, explicou. Alfano ainda contou que hoje, mesmo com o afrouxamento do contágio e a liberação do uso obrigatório de máscara, os produtores e as pessoas que ficam por trás das câmeras, ainda permanecem usando-as.

Por fim, a apresentadora disse que a maior dica aos recentes estagiários seria ter calma. “Menos ansiedade! Eu percebo, pelos estagiários que trabalham comigo, que essa nova geração, jovem, quer tudo para ontem, e eu acho que tudo se baseia num processo. Então, para chegar num cargo de apresentador e correspondente por exemplo, leva tempo, e é algo bom pelo amadurecimento garantido durante esse longo processo. Ter paciência, e mergulhar de cabeça!”, concluiu.

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