Criador do podcast Rádio Escafandro fala sobre carreira e jornalismo na pandemia

Theo Fava (1º semestre)

Com a pandemia da Covid-19 chegando a um ano e meio de duração, muitas áreas de trabalho têm sofrido fortes impactos, tanto na economia quanto no cotidiano dos profissionais. Empregados adotaram o estilo home office como substituto do ambiente presencial de trabalho, e as reuniões e atividades passaram a ser feitas por plataformas virtuais.

Essas mudanças que caracterizam o período pandêmico afetaram também o jornalismo, inclusive na área de entrevistas, que perdeu a dinâmica do contato presencial. Além disso, houve um distanciamento entre audiência e alguns meios de comunicação.

Em meio a isso, 2020, para os podcasts, foi um ano em que se aumentou a quantidade de ouvintes e programas. Esse incremento, no entanto, foi abaixo do esperado, considerando o forte crescimento em popularidade que o formato tem desde a década de 2010. “As pessoas costumam ouvir podcast indo ou voltando do trabalho, nos deslocamentos de carro, de ônibus, e no transporte público. Como as pessoas ficaram com o trabalho remoto, houve essa queda”, disse Tomás Chiaverini, criador do podcast Rádio Esfanandro.

Tomás é um escritor e jornalista, com romances e livros-reportagens compondo sua bibliografia. Ele passou por diversos veículos importantes, como Folha de S. Paulo e The Intercept, desde a sua formação, em 2004. A partir de 2019, passou a se dedicar ao podcast, que é mantido por financiamento coletivo. Os episódios do Rádio Escafandro são publicados a cada quinzena, abrangendo diversos tópicos relevantes a partir de uma abordagem jornalística.

Sobre os impactos negativos da pandemia no jornalismo, Chiaverini também lamenta a falta de contato pessoal que as entrevistas remotas trouxeram: “Eu gostava muito de entrevistar as pessoas pessoalmente. Essa conversa olho no olho é muito benéfica para o jornalismo. Faz com que a conversa ganhe uma vida maior. A gente consegue fazer pausas maiores, sentir melhor o entrevistado, e as entrevistas ficam com mais qualidade, mas agora são todas remotas”.

Apesar da profissão ter sofrido por conta da pandemia, o escritor admira que o jornalismo foi positivamente importante durante o período, pois consolidou sua relação com a ciência. Cientistas que antes eram apenas conhecidos no nicho deles passaram a ser personalidades altamente reconhecidas, com muitos seguidores. “Uma parcela da população está percebendo que o jornalismo é muito importante para a desmistificação e o combate às Fake News”, disse Tomás.            

Além disso, o jornalista destacou que as dificuldades com a qual lidou nesses últimos 15 meses deixará um legado importante para o futuro do Rádio Escafandro, podendo haver entrevistas tanto presenciais quanto remotas após o término da pandemia. “Dá para fazer muita coisa legal online também. Podemos fazer entrevistas com áudio de qualidade mesmo feitas remotamente, então pensando no futuro, podemos continuar entrevistando pessoas que não estão no nosso raio de alcance, seja nacional ou internacionalmente”, finalizou Chiaverini.

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