Bianca Carvalho fala sobre a sua trajetória acadêmica e profissional

Repórter do Estadão, a ex-aluna da ESPM contou ao DONC como ingressou num dos principais jornais do Brasil

Texto: Tássio Leal / Imagem: Divulgação

Prestes a completar um ano de formada, a jornalista Bianca Carvalho, repórter do Estadão e ex-aluna de Jornalismo da ESPM/SP, concedeu entrevista ao De Olho na Carreira (DONC). A entrevistada falou sobre a sua carreira jornalística e os bastidores da notícia que foi publicada no último dia 9 de abril, envolvendo o Núcleo de Avaliação Estratégica (NAE) da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

“Durante a faculdade, experimentei de tudo. Fiz todas as agências possíveis (Rádio, TV), e sempre entrei com a cabeça de que queria trabalhar em redação”, conta Bianca.

A ex-aluna começou a estagiar no quinto semestre, logo após ter concluído o projeto de iniciação científica. “Além da bolsa de pesquisa, a iniciação trouxe uma bagagem teórica muito importante para mim”.

Antes de ingressar no Estadão, Bianca ainda colaborou com o site Fiquem Sabendo, uma agência de dados públicos independente, que se propõe a revelar informações de interesse social que o Poder Público não divulga. “No Fiquem Sabendo, tive contato com notícias e jornalismo de dados. Lá descobri a Lei de Acesso à Informação (LAI) e que poderia usá-la para fazer matéria”, afirma.

A repórter diz que, naquele momento, aprendeu a fazer reportagens, apurar, entrevistar as pessoas e pedir informações com base na Lei de Acesso. “Os jornais amam pautas de LAI, porque é exclusivo e dá um baita valor ao trabalho do jornalista. Cheguei a fazer matéria de déficits de médicos no SUS”, ressalta.

Bianca ainda conta que, pela primeira vez como repórter, foi a um lugar distante e mais pobre de São Paulo, em São Mateus, na zona leste da capital paulista. “Na época, eu estava produzindo uma reportagem sobre o número de pessoas que morriam nas prisões aqui de São Paulo. Levantei dados do Infopen, que divulga os números sobre o sistema carcerário”, explica. A reportagem, produzida em conjunto com o jornalista chefe do site, Léo Arcoverde, lhe rendeu muita experiência em apuração e produção.

Algum tempo depois, a então estudante de Jornalismo fez o processo seletivo de estágio do Estadão, que consistiu em três etapas: prova online, prova presencial e entrevista. Já como estagiária contratada do jornal, ficou um ano e meio atuando no Curso de Jornalismo do Estadão, que produz pautas especiais para o jornal. “Foi bom para ganhar um conhecimento de formato, uma coisa multimídia, que não está no dia-a-dia da redação. Como se fosse uma startup dentro do jornal, muito diferente de trabalhar com hardnews”, afirma.

Nesse período no Estadão, Bianca ainda trabalhou com Política, Breaking News e hoje está na área de Economia.  “Às vezes eu entrava às 5 horas da manhã e saía às 10 horas, às vezes meia-noite e saía às 5 horas”, relembra.

“Semana passada, houve um vazamento de gás na Sé que gerou uma explosão. Eu estava olhando o Twitter dos Bombeiros. Liguei lá, de madrugada, e apurei da própria redação. É meio desesperador, dá medo de perder o tempo ali da coisa que está acontecendo”, conta.

A entrevistada falou sobre os bastidores da notícia que foi publicada no último dia 9 de abril, envolvendo o Núcleo de Avaliação Estratégica (NAE) da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A reportagem, produzida em conjunto com o jornalista Fabio Leite, denunciava um Núcleo Estratégico que não cumpria a sua função pública. “Criado há quatro anos para implantar um sistema de avaliação do serviço público, o grupo que tem 37 assessores fez uma única audiência itinerante e demorou quase três anos para concluir um relatório”, constatou a matéria.

Segundo ela, inicialmente foi apurado que “havia uma menina de 20 anos, estudante de direito, que ganhava 15 mil reais por mês como servidora na Alesp. Achamos a história muito estranha. Fomos investigar. Tive que ir até lá com microfone escondido”, conta.

Após a publicação da reportagem, no dia 20 de abril, dois assessores do NAE foram exonerados pela Alesp. “As pessoas acham que o jornalista tem uma mente diabólica. Eu nunca penso em fazer uma matéria com o intuito de destruir a vida de alguém. Nem fico feliz com isso, não me dá prazer. O objetivo é apenas que as autoridades públicas tomem as medidas necessárias”, explica.

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