Janca fala como cobriu seis Copas, carreira e vida de jornalista esportivo

JANCA
Foto: divulgação.

Fabrício Julião – 1o semestre

João Carlos Assunção é um jornalista com muitas experiências e histórias, afinal, participar de coberturas de seis copas do mundo e três olimpíadas não é para qualquer um. Apesar de ter construído sua carreira voltada para o esporte, em especial o futebol, João afirma que antes de ser jornalista esportivo é necessário ser primeiro jornalista

Formado em jornalismo pela PUC e em administração pela USP, Janca já desempenhou diversas funções como jornalista, desde colunista até apresentador. Atualmente ele trabalha como blogueiro e colunista do Lance, onde atua há sete anos.

Carreira no futebol

Desde a infância, João têm admiração pelo futebol e pela leitura. Com sete anos de idade, já gostava de ler jornais, a começar pela seção de esportes. A carreira de jornalista parecia lhe servir perfeitamente e não demorou muito para que percebesse isso. Durante a faculdade, João conseguiu acompanhar a seleção brasileira de perto, na Copa de 1986, no México.

“Eu vendi um projeto para a faculdade pensando no trabalho para conclusão de curso. Fui em uma excursão junto de meu irmão e foi muito interessante porque foi muito pouco jovem. Da minha idade só tinha eu, meu irmão, um menino chamado Tarciso do qual fiquei muito amigo e outro menino que foi com o pai. Não tínhamos credencial nem nada do tipo e mesmo assim tínhamos bastante contato com os jogadores. Nós conseguimos ter acesso, assistíamos aos jogos de outras seleções com os jogadores do Brasil, foi uma grande experiência para mim”.

O jornalista também falou da paixão que o povo mexicano tem pelo futebol e a admiração e afeto pelo brasileiro. “Os mexicanos veneravam os brasileiros. Teve uma vez em que a gente saiu do hotel e as pessoas começaram a nos pedir autógrafo. Explicamos que não éramos jogadores, mas para eles não fazia mal, eles queriam autógrafo apenas pelo fato de sermos brasileiros. Eles formaram uma fila bem grande, eu e meu irmão saímos cedo, mas nosso amigo Tarciso ficou umas 3h lá dando autógrafo”, contou o jornalista.

As outras cinco copas que João cobriu foram trabalhando. Na Copa de 94 ele trabalhava em uma revista de turismo norte-americana e pode fazer a cobertura do mundial.  As outras duas Copas, de 2002 e 2006, ele pelo Sportv, emissora que inclusive foi apresentador e comentarista esportivo durante um tempo. “Cada Copa teve seu diferencial, mas a de 2002 foi a que mais tive liberdade. Não precisava acompanhar só a seleção brasileira, fui para o Japão para acompanhar outros times também”, revelou.

Ingresso no Muay Thai

Em 2015, João embarcou em um universo diferente ao qual estava acostumado. Ele entrou no mundo das lutas, mais especificamente do Muay Thai. O jornalista acompanhou de perto o drama dos jovens lutadores e virou uma espécie de mentor para eles.

“Eu me aventurei no mundo dos lutadores brasileiros de Muay Thai e para isso eu tive que virar ´brother’ deles. Era um mundo completamente diferente do meu, no começo foi tudo muito maluco para mim. Os jovens com que tive contato não tinham o sonho de conhecer os EUA ou a Europa, seu sonho era conhecer a Tailândia e disputar os campeonatos de lá”, disse.

 Cinema

Em 2011 o jornalista lançou um filme documentário chamado “Sobre futebol e barreiras”, que conta a história de quatro judeus e quatro palestinos durante a copa do mundo. João procurou mostrar a perspectiva dessas famílias dentro de um contexto que mostrasse a importância do futebol para elas, assim como é importante Brasil, além dos problemas políticos e religiosos em que o território se encontra.

“Minha intenção era mostrar o dia-dia deles com o futebol como um plano de fundo. Tanto israelenses quanto palestinos adoram futebol, são apaixonados, e não conseguem ir para a copa”, revelou Janca.

No entanto, apesar de sua experiência obtida no documentário, Janca não se considera um “cineasta”. “Comecei a mexer com cinema, mas eu não sei filmar ou editar por exemplo. Faço um trabalho mais de jornalista, eu entrevisto, faço a produção, roteiro e argumento. Não me considero um cineasta”, disse o jornalista.

 

Obras do jornalista

Seu primeiro livro foi publicado em 1998, intitulado “Deuses da Bola”, em que conta a história da seleção brasileira desde 1914 até 1998. “O livro tem a ficha técnica de todos os jogos do Brasil, o que na época era uma coisa inédita. Já existiam alguns que contiam a escalação do Brasil, mas sem a do adversário.”

Em 2002, o livro foi editado para ser fascículos. “A editora vendeu para a (ed.) Kayser. Na copa de 2002 quem comprasse uma cerveja ganhava um fascículo, aí se comprasse mais uma ganhava mais um, e assim por diante. Ganhamos uma boa grana com isso, mas podíamos ter ganhado mais se tivéssemos mais experiência de negociação”, brincou Janca.

Já no ano de 2010, João lançou um livro infantil. O objetivo do livro era para mostrar a história da seleção brasileira em ilustrações. Em 2014, João atualizou o seu primeiro livro “Deuses da Bola” para fazer uma homenagem aos 100 anos da seleção brasileira. “Atualizamos os jogos de 1998 até 2014 por conta do livro. Agora, já vamos atualizá-lo novamente para neste ano lançarmos outra edição”. O livro mudou o nome para “Deuses da Bola – Mais de cem anos” e estreou dia 21 de maio de 2018, na livraria Martins Fontes.

 

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