“Rádio é algo que se faz com muito amor e vontade”, confessa Fernando Camargo, jornalista esportivo

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Fernando Camargo, nos estúdios da Rádio Bradesco Sports. (Foto: arquivo pessoal)

Mario Reis – 1o semestre

Ao conceder entrevista ao DONC, o jornalista, radialista e narrador Fernando Camargo, com passagens na ESPN, TV Gazeta, Folha de São Paulo, Grupo Bandeirantes, Rádio Bradesco e BandSports, analisou as dificuldades do jornalista no dia-a-dia, a imparcialidade na carreira e deu dicas para obter sucesso na profissão.

Fernando Carlos Cruz de Camargo nasceu em São Paulo no dia 8 de julho de 1977. Se formou jornalista, em 2001, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Concluiu ainda o curso de locução em rádio e TV, em 2004, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e a pós-graduação em comunicação e marketing de mercado pela Universidade Paulista (UNIP).

DONC- Como é a sua rotina hoje como jornalista?

Fernando- Eu tive uma rotina diária como jornalista durante muito tempo, passei por ESPN, Folha de São Paulo, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, Rádio Bradesco e o último, no BandSports, mas já tem um tempinho que estou sem essa rotina diária, pois hoje não tenho um trabalho fixo. Desde que a rádio acabou (em 2017), algumas pessoas foram desligadas. Já eu continuo fazendo alguns trabalhos, como participação de programas, mas apenas quando chamam. Também faço jogos numa rádio chamada “Voz do Esporte”. No momento tem sido desta forma e é uma situação que está acontecendo para muita gente no mercado que, com essa crise nos últimos dois, três anos, muita gente acabou saindo do mercado e não conseguindo recolocação. Hoje, dou aulas no SENAC, mas não é uma situação corriqueira, ainda busco recolocação no mercado de trabalho.

DONC- Quanto ficar sem um trabalho fixo te prejudica?

Fernando- Prejudica bastante, pois já tenho um tempo grande de formação, praticamente vinte anos e, nesse período de carteira assinada, consegui tocar minha vida muito bem. Tenho família, esposa, filha, e isso prejudica na situação financeira. Como  não é fácil conseguir trabalho freelancer, você acaba tendo que correr atrás de alternativas, tendo que fazer outras coisas, não só no jornalismo, mas no rádio e na comunicação em geral. Às vezes, desanima, mas é algo que a gente gosta de fazer e busca fazer da melhor maneira. É uma profissão que tem que correr muito atrás.

DONC- Você já trabalhou tanto na televisão quanto no rádio. Tem alguma preferência?

Fernando- Eu sempre gostei muito do rádio, quando era mais jovem eu ouvia muito com meu pai, rádio AM, jogos e programas jornalísticos. Mesmo quando criança, não era aquele que gostava muito de FM, mas depois com o tempo passei a ouvir também e é muita paixão. Na época de faculdade, minha vontade era de trabalhar no rádio, mas acabei começando em empresas maiores na televisão. Comecei trabalhando na ESPN quando tinha 20 anos e depois passei por Rede TV, Gazeta e SBT. Criei um vínculo muito grande com a televisão, o que me fez levar anos até chegar ao rádio. Eu não tenho uma predileção, mas se tivesse que escolher hoje, a televisão coloca você com possibilidade de ter ganhos maiores, enquanto que o rádio é algo que a gente faz com muito amor e muita vontade.

DONC- Como um jornalista esportivo, como faz para separar a paixão por um clube com a imparcialidade nos seus comentários?

Fernando- A partir do momento que você passa a exercer a função de jornalista, radialista, sua primeira obrigação é levar a informação da forma mais isenta possível e isso eu sempre tive comigo. Eu tenho meu time do coração mas já trabalhei com outros e tento fazer da melhor forma possível. Tem muita gente que acha difícil separar os temas, eu já acho mais que minha obrigação. Eu fui setorista do Palmeiras por três anos e não sou palmeirense, tentei sempre levar e informar da melhor forma possível, sem fazer nenhum tipo de gozação, tirando proveito por alguma coisa. Eu acho que você tem que fazer dessa forma, tem que saber separar. Se você torce para algum time e trabalha falando bem desse time é uma situação, agora se você trabalha numa grande empresa, como eu já trabalhei em várias, você tem que ser ético e isento, se o time está bem, você fala bem, se está mal, você fala mal, se tem que criticar você crítica, se tiver que elogiar, você elogia.

DONC- Quais as características que um jornalista precisa ter para atingir o sucesso?

Fernando- Sobretudo perseverança, acreditar muito, sonhar diariamente, buscar os seus objetivos. Não é uma profissão que as coisas caem do céu. Tem que correr atrás, ler demais. No mundo de hoje, globalizado como é, com rede sociais, ajuda você estar antenado, saber o que está acontecendo, desenvolver cada vez mais o seu talento, procurar progredir cada vez mais e, de repente, ter boas indicações. Mas mais do que tudo, é gostar muito do que você faz e acreditar que você vai buscar o seu sonho.

DONC- Quais a maiores dificuldades que o jornalista tem no seu dia a dia?

Fernando- A dificuldade para o jornalista, seja ele de TV, de mídia impressa ou de rádio é a questão do mercado, que está com algumas dificuldades, com muitas demissões em redações de empresas de comunicação. Questão também de por existir rede social, uma velocidade muito grande nelas, essas fake news que acontecem (sic). Às vezes, você fala uma coisa e é mal interpretada. Mas acho que é um momento em o que mais atrapalha é você não conseguir a oportunidade. Há grandes jornalistas que estão fora do mercado, por questão de espaço e de momento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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