Dani Rosolen fala da importância da versatilidade na carreira de um jornalista

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Dani Rosolen, jornalista do site sobre empreendedorismo “Projeto Draft”. (Foto: arquivo pessoal)

Bernardo Campos – 1o semestre

A jornalista Dani Rosolen trabalha para o Projeto Draft, um site que acompanha a expansão da nova economia brasileira e dos novos empreendedores no país. Ela falou ao DONC sobre o início de sua carreira, sua experiência na TV e como é trabalhar em redações de assuntos variados.

DONC- O projeto Draft é um site que mostra a história de pessoas que montaram seu próprio negócio. Como funciona o site atualmente?

Dani Rosolen- O Draft é dedicado a cobrir a expansão da inovação disruptiva no Brasil, com conteúdo, serviços e eventos montados para fazer a crônica da nova economia, da cultura maker e dos novos empreendedores brasileiros. O site, atualmente, está dividido em dez seções. Em Negócios Criativos, falamos de “lifestyle business”, ou seja, negócios para se viver deles; em Startup, abordamos negócios digitais feitos para escalar e ser vendidos; em Negócios Sociais, iniciativas que dão lucro ao mesmo tempo em que geram impacto positivo na sociedade. Também tem a seção de Inovação Corporativa, em que contamos cases e histórias de gente que inova dentro de grandes corporações; a Entrevista Draft, com executivos; Acelerados, em que perfilamos novíssimos negócios; Check Point, onde ressaltamos histórias já contadas no próprio Draft para ver o que mudou com o tempo; Seleção Draft, com dicas para empreendedores; Verbete Draft, em que “traduzimos” termos da Nova Economia e Lifehackers, em que gente que trouxe a disrupção para a própria vida conta sua história.

DONC- Você se formou pela Cásper Líbero e começou como estagiária na TV Gazeta. Conte como foi essa experiência.

Dani Rosolen- Foi muito importante esta oportunidade na Gazeta. Passei o segundo ano inteiro da faculdade procurando estágio. Era chamada para algumas entrevistas, mas não dava em nada. Até que, no final daquele ano, surgiu o estágio na TV. Nunca tinha pensado em trabalhar com audiovisual, pois meu foco era jornalismo impresso. Fora que eu tinha medo da câmera, de aparecer. Mas resolvi arriscar e me inscrevi no processo seletivo. Foi muito bom poder sair da faculdade, subir dois andares e já estar no trabalho! Mas o melhor mesmo foi conhecer esse mundo e ver que eu tinha a possibilidade de atuar nos bastidores. Tanto que, dois anos após o fim do estágio, voltei para a Gazeta como contratada e fiquei lá por quase quatro anos.

DONC- Você fez muitos trabalhos de freelancer. Quão importante esses trabalhos foram para você?

Dani Rosolen- Quando acabei o estágio na Gazeta e me formei, em 2009, comecei a procurar emprego, mas demorou um pouco até aparecer a vaga na RedeTV!. Tive a sorte de nesse meio tempo escrever para a revista Balde Branco (voltada para o agronegócio) e, após sair da emissora, continuar a fazer alguns trabalhos para a publicação e para o autor João Castanho Dias (pesquisas para livros). Quando saí da Gazeta, em 2015, fiquei um período trabalhando como voluntária na Índia. De volta ao Brasil, continuei colaborando com o Castanho por mais um ano, com o blog do coworking Vivei.ro e com a revista CHK. Esses trabalhos me mostraram como é preciso ser versátil quando não se está fixo em uma vaga. Tive que aprender a escrever um pouco de tudo e em temáticas bem específicas, de vacina para gado à mentoria para empreendedores.

DONC- E você acha importante o trabalho de freela na carreira jornalística?

Dani Rosolen- Sim, acredito que hoje em dia a economia freelancer está muito forte. Na época em que era freela, eu não soube me prospectar tão bem, pois conheço muita gente que se mantém assim e nem pensa em voltar a ter algo fixo. Acho que, se a pessoa se organizar, dá para levar essa vida de autônomo bem e viver diferentes experiências na área jornalística.

DONC- Você já fez matérias para revistas do setor agrícola e sobre sustentabilidade e inovação social. Como vê essa versatilidade na carreira jornalística?

Dani Rosolen- O jornalista precisa ser versátil e estar preparado para escrever sobre tudo. Lógico que se especializar, como o que faço agora, também é ótimo. Mas é sempre bom ter tido experiências com outras temáticas. Como costumava ouvir na faculdade, o jornalista é um especialista em generalidades. Ele vai atrás do assunto, estuda e tenta transmitir aquilo da forma mais claro possível para os leitores.

DONC- Muitas pessoas que estudam comigo sonham em fazer trabalhos voluntários pelo mundo. Você passou um semestre na Índia, quanto isso pode mudar a cabeça e ser importante para o futuro da carreira do jornalista?

Dani Rosolen- Foi um ponto decisivo ter feito este intercâmbio. Na época, eu já realizava trabalhos voluntários aqui em São Paulo em uma horta orgânica de uma instituição beneficente que cuida de crianças com deficiência, o Nosso Lar, e no Incor, onde fazia visitas aos pacientes pela Associação Amigos do Coração. Estava muito incomodada, querendo fazer algo mais, achando que profissionalmente não estava rendendo e pensando, inclusive, em mudar de área. O intercâmbio foi bom para conhecer uma realidade completamente diferente, me virar sozinha em um lugar em que não tinha vínculos e repensar o que queria fazer. Quando voltei, percebi que como jornalista também havia espaço para causar impacto social. Mas só me dei conta disso quando comecei a escrever sobre temas relacionados à inovação social no Vivei.ro, com o apoio e a mentoria da também jornalista Fabiana Dias.

DONC- Você faz a seção Seleção Draft e Acelerados. Como é fazer essas matérias?

Dani Rosolen- Na Seleção Draft, separo quatro links interessantes para empreendedores, tanto de sites nacionais quanto de internacionais, além de dicas de eventos do ecossistema empreendedor. Todo dia é um aprendizado, leio sobre coisas novas e descubro como esse mundo é complexo, mas fascinante. Em Acelerados, uma espécie de fichários de novos negócios, tenho a chance de entrar em contato com gente que está começando, bem engajada com a sua missão e propósito. Isso me motiva e me faz participar um pouco dessa empolgação em estar inovando, além de ver possibilidades onde nem imaginava.

DONC- Como já foi citado você trabalhou em grandes emissoras de TV, agora você trabalha em uma redação menor. Como é essa redação e quais principais diferenças para as redações da Gazeta e RedeTV!?

Dani Rosolen- A única diferença em relação às redações da Gazeta e da Rede TV! é o espaço físico. No Draft, trabalhamos remotamente, é uma redação online. Me acostumei a trabalhar assim, me sinto à vontade sozinha e, de qualquer forma, eu e minha editora estamos conectadas o tempo inteiro. Às vezes, busco diversificar o lugar que trabalho indo a um coworking e, uma vez por mês, também fazemos uma reunião presencial com os colaboradores freelancer. É sempre bom esse encontro, fazer a reunião de modo tradicional.

DONC- E para encerrar, qual dica que você daria para quem quer seguir a carreira de jornalista?

Dani Rosolen- Acredito que para quem começa a fazer a faculdade de jornalismo é muito importante experimentar logo no primeiro ano o que é este trabalho na prática. Seja em um estágio, em um laboratório dentro da faculdade, em um trabalho voluntário. Me arrependo de só ter ido procurar uma vaga só no segundo ano do curso. Até fazia projetos dentro da faculdade em revistas internas, mas demorei para sentir, de fato, o que era estar nesse mercado. Também recomendo que se faça o máximo de contatos possíveis, tem que perder a vergonha e conversar com quem der, onde der. Uma boa agenda ajuda muito tanto na hora de buscar personagens interessantes como trabalho.

 

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