Sucesso na profissão não depende da cor da pele, garante jornalista

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O sucesso de um jornalista não depende da cor da pele. Se o profissional é bom, vai conseguir seu espaço na profissão. Essa é a opinião da jornalista Janaína Nunes, que atualmente trabalha na produção do Programa do Gugu, na Rede Record.

“Não acho que é um problema só dos brancos, mas das pessoas negras também, que foram criadas para não acreditar que poderiam fazer uma faculdade. Fizeram a pessoa negra acreditar não vai conseguir espaço no veículo porque ela é negra, e isso não tem nada a ver”, diz Janaína.

A jornalista, que é negra, afirma que poucas vezes sentiu ter sido vítima de racismo em sua atuação. “O racismo no Brasil não é tão direto, ele é mais sutil. Você percebe nas delicadezas do tratamento, mas dentre os meus colegas nunca me senti menos por causa da minha pele”.

O preconceito sofrido por Janaína tornou-se realidade quando começou a trabalhar na área entretenimento no jornal Agora São Paulo, a partir do momento em que fazia coberturas de festas e na rua. “Eu nunca era tratada como jornalista. As pessoas pensavam que eu era garçonete, ou era empregada, acompanhante ou babá dos filhos dos famosos.”

Desigualdade

Dados do IBGE mostram que a desigualdade racial acontece não somente dentro do jornalismo, mas no mercado de trabalho em geral. O primeiro trimestre de 2017 registrou 13 milhões de pessoas sem ocupação, das quais 63,7% se declaram negras ou pardas.

Dados do Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) de 2012 apontam a participação de apenas 6% de negros nas redações, número baixo com relação à população negra do país, que chega a 54% do total, segundo o IBGE.

De acordo com Janaína Nunes, a igualdade no mercado de trabalho deve ser incentivada pelo governo. “Conheço pessoas negras que são desacreditadas desde crianças. Assim como falam que japoneses são inteligentes, e isso é uma forma de preconceito também, falam que as pessoas negras são burras. Então o que precisa é mudar isso com incentivo do governo e da família”.

Incentivos

Janaína cita um desses incentivos durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso na Presidência. “No governo Fernando Henrique a questão do negro, das cotas também, começou a melhorar. Por exemplo, eu fiz Metodista, que era caríssima, com crédito educativo, que hoje é o Fies, então houve um incentivo”.

Segundo a jornalista, nos governos Lula e Dilma isso foi ampliado. “Eu vi muitas pessoas negras e da periferia fazendo faculdade. Isso é incentivo, então tem que ser trabalhado”.

Além de financiamento de estudos, como o crédito educativo, a jornalista vê na educação uma ótima opção para que o racismo seja evitado. “É obrigação do governo facilitar o acesso dos pobres ou das pessoas negras a uma faculdade porque isso só vai melhorar o país. Quanto mais pessoas negras estiverem estudando mais pessoas negras vão comprar, consumir, conhecer o país. E só temos a ganhar, tanto financeiramente como intelectualmente”.

Kaique Vieira – 2º semestre de Jornalismo

 

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