Jornalistas contam se orientação sexual interfere na carreira

O DONC procurou jornalistas e visitou o sindicato da categoria para saber se a orientação sexual e a identidade de gênero interferem na carreira. As histórias dos entrevistados mostram experiências diferentes com relação ao tema.

Márcio Caparica, 38 anos, editor chefe do blog Lado Bi, que começou a carreira como web designer e designer gráfico, conta que aos 20 anos se declarou gay para os seus pais e teve seu primeiro namorado.

O jornalista afirma que nunca sofreu, de modo muito explícito, algum tipo de discriminação, no entanto já ouviu alguns comentários que o deixaram incomodado. “Um chefe uma vez me disse, durante uma reunião de pauta, que não imaginava que eu gostava de tal produto que apareceria numa matéria, porque era ‘coisa de homem’”.

Foto will

                                                                    Foto: Reprodução

Will Amaral diz não enfrentar preconceito no trabalho

Will Amaral, 22 anos, que atua como redator na agência Press Works, declarou-se homossexual aos 14 anos. Ele afirma que teve sorte ao ser contratado por um empregador de mente aberta e interessado em desenvolver uma equipe diversa. Por esse motivo nunca sofreu nenhum tipo de preconceito no local onde trabalha há quase quatro anos. Ele acredita que caso atuasse em um veículo mais tradicional teria limitações quanto a sua aparência e por não se sentir bem teria uma provável queda no rendimento e na produtividade.

A Comissão de Jornalistas LBGT, criada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, em maio deste ano, foi uma iniciativa de um jornalista que enxergou a necessidade da discussão do assunto. Após seus integrantes participarem da Parada do Orgulho LGBT, a comissão está atualmente fazendo uma pesquisa sobre a discriminação desse grupo no jornalismo.

Segundo Priscilla Chandretti, diretora do sindicato e participante da comissão, a pesquisa ainda está em andamento, mas nos depoimentos até agora recebidos muitos jornalistas declaram que se sentem limitados quanto às editorias e a promoções por conta de serem LGBT.

“O lugar dela [da pessoa LBGT] é na editoria de cultura, moda, dificilmente ela vai conseguir entrar na editoria de esportes, política ou economia sendo gay. Algumas das pessoas relatam isso para comissão […] e isso acontece com mulheres também”, disse Priscilla. No entanto afirma também que não há dados específicos que mostrem com certeza que as pessoas da comunidade LGBT não consigam promoções e acesso a determinadas editorias por fazerem parte dessa minoria.

A comissão pretende, nos próximos meses, abordar os seguintes tópicos: o ingresso de transexuais na área, a discriminação diária sofrida pelos membros da comunidade LGBT, a possível criação de um manual de conduta, a negociação de licença-paternidade para casais homoafetivos adotantes e como a mídia aborda o tópico, na maioria das vezes de forma caricata.

Aline Chalet – 1º semestre de Jornalismo

e Thais Samano – 2º semestre de Jornalismo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s