Para Flavio Gomes, antes de ser jornalista esportivo, é preciso ser jornalista

Com 35 anos de profissão, Flavio Gomes, jornalista e apresentador dos canais Fox Sports, acredita que, no começo da carreira, o ideal é não ter preferência por alguma área, e sim focar em ser jornalista. “Acho um erro estabelecer que o esporte é a prioridade”, afirma. O DONC conversou com o jornalista, que esteve na ESPM no dia 5 de maio para um bate-papo com os alunos do terceiro semestre de Jornalismo. Flavio contou sobre sua experiência e deu dicas para quem está começando na profissão.

A própria carreira de Flavio mostra que estar aberto para outras áreas pode ser uma boa opção, já que, apesar de querer trabalhar com o futebol, começou sua vida profissional em um programa sobre ciência em uma rádio AM. “Se eu tivesse essa obsessão pelo esporte, eu não iria, ia ficar esperando”, explicou. Segundo o jornalista, para ser um bom profissional na área esportiva não é necessário ter um alto conhecimento, mas sim ser um bom jornalista no geral, e aproveitar as oportunidades que conseguir.

“Acho um erro estabelecer que o esporte é a prioridade.”

Flavio iniciou sua carreira no jornal Popular da Tarde e teve passagens pela Folha de S.Paulo e pela revista Placar. Após deixar a Folha, criou a agência de notícias Warm Up, que promoveu a cobertura do automobilismo para 120 jornais de 1995 a 2011. Na televisão, ficou de 2005 a 2013 na ESPN Brasil e desde 2014 está na Fox Sports, participando dos programas Fox Sports Rádio e Fox Nitro.

Além disso, desde 1999 Flavio tem um site sobre automobilismo chamado Grande Prêmio e um blog no UOL. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo.

O programa Fox Sports Rádio, no qual Flavio Gomes faz parte do quadro de comentaristas fixos, destaca-se também pelo bom humor com que todos os integrantes interagem entre si. Porém, para o jornalista, isso ocorre porque o programa permite que os participantes conversem como se estivessem entre amigos, e não trabalhando. Outro ponto levantado para explicar tal humor é fato de tratarem o futebol como entretenimento. “É o jeito que eu sempre achei que é o lugar do futebol, então eu brinco com futebol”.

Torcedor declarado da Portuguesa, Flavinho, como também é conhecido, acredita que não é um problema assumir o time pelo qual torce. “Você conquista credibilidade a partir das suas atitudes, por aquilo diz e pelo que você escreve e não por qual time você torce”, completa.

Porém, em 2013, o lado torcedor afetou sua carreira quando, após um jogo entre Grêmio e Portuguesa, discutiu com torcedores adversários em uma rede social. O episódio levou à sua demissão da ESPN Brasil. Apesar de dizer que não se arrepende da discussão, já que no momento não estava trabalhando e, portanto, era apenas um torcedor, afirma que se soubesse a consequência teria evitado. “Se eu soubesse que ia ser mandado embora, talvez, eu não teria feito”, ponderou.

“Você conquista credibilidade a partir das suas atitudes, por aquilo diz e pelo que você escreve e não por qual time você torce.”

Outra paixão de Flavio Gomes é o automobilismo.  O jornalista trabalhou 18 anos acompanhando o campeonato de Fórmula 1.  Porém, acredita que não é qualquer jornalista que pode ter essa experiência. “São pessoas que precisam falar duas ou três línguas, você precisa ter algum conhecimento técnico, de tecnologia mesmo, sobre carro”, explicou. Hoje em dia dedica o site Grande Prêmio às diversas categorias do automobilismo. Flavinho destaca, também, a falta de investimento e de ídolos no esporte. “O brasileiro não gosta de esporte, gosta de ganhar”, acrescenta. Dentre as muitas corridas que acompanhou, o jornalista destaca duas entre as mais marcantes.

A primeira ocorreu no dia primeiro de maio de 1994, em Ímola, na Itália. Essa corrida ficou marcada pela morte do maior ídolo brasileiro no automobilismo, Ayrton Senna. “Não vai ter outra cobertura igual na minha vida porque não vai morrer o maior ídolo esportivo do país no momento”, destacou. A outra lembrada foi a primeira vitória na carreira de Rubens Barrichello, o Rubinho, na Alemanha, em 2000.

Flavinho acredita que a principal dica para quem quer seguir no jornalismo esportivo é não se concentrar no esporte e focar no jornalismo em si. Outros pontos importantes levantados foram se informar, conhecer esporte e deixar de lado as preferências por um time de futebol. Saber separar o lado torcedor do profissional pode ser a diferença de ser um bom profissional ou não. O apresentador destaca também que se especializar em um esporte, ou em uma área, é bom, pois terá um conhecimento mais aprofundado, porém um jornalista não deve se limitar à sua especialidade.

“Hoje a gente tem plataformas para se expressar, para se manifestar, e acho isso legal.”

O profissional possui opiniões políticas muito fortes e costuma postar sobre isso em suas redes sociais. “Hoje a gente tem plataformas para se expressar, para se manifestar, e acho isso legal”, destaca, acrescentando que já se prejudicou com essas postagens. Flavio Gomes está no ar de segunda a sexta, das 12h45 às 15h30, no Fox Sports Rádio, e no Fox Nitro, de segunda às 23h30, terça às 1h45, 7h e 17h, quarta às 4h30 e aos sábados às 7h e 17h.

Eduardo Moreira e Guilherme Soria (1º semestre de Jornalismo)

 

 

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