Coordenadora do programa de focas do Estadão fala sobre currículo, atualização e até tatuagem

Carla Miranda, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Literatura Brasileira pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Em seu currículo, possui diversos cursos, que vão desde crônica periodística a reportagem especial em jornalismo e até introdução ao marketing.

Começou sua carreira como editora-assistente do caderno “Metrópole” no jornal O Estado de São Paulo, onde trabalha hoje como coordenadora de desenvolvimento editorial do blog Em Foca, que noticia o dia a dia dos estudantes do Curso Estado de Jornalismo, do qual já foi aluna.

Em entrevista concedida ao DONC, na sede do Estadão, a jornalista dá dicas aos estudantes de jornalismo que estão prestes a ingressar no mercado de trabalho. Entre elas estão a atualização constante na formação por meio de cursos e a atenção às oportunidades do mercado de trabalho. Ela ainda brinca ao falar sobre um possível preconceito contra tatuagens.

O que é necessário para um jornalista que está entrando atualmente no mercado de trabalho?

Carla Miranda: A principal característica para um bom jornalista hoje é não parar de aprender nunca e estar disposto a encarar mudanças, pois é a nova toada do que a gente faz. É claro que tem o básico que não muda nunca, que é o que a gente faz de bom jornalismo, de boa apuração, de bom texto, de bom material, de saber contar histórias. Isso é o que não muda do conceito de qualidade, da ética que a gente precisa ter.

Qual é o momento certo para ingressar no mercado de trabalho?

Carla Miranda: Cada um tem seu tempo para fazer um estágio. Alguns precisam desde o início. Os estágios melhores estão mais para a frente, por volta do 3º ano. Estagiário do Estadão, por exemplo, é terceiro ano, somente terceiro ano. Não tem estágio de primeiro e de segundo. Aí você consegue pegar os melhores estágios.

Geralmente o pessoal começa fazendo assessoria de imprensa ou então mídias sociais, alguma coisa de gerenciar, ajudar a gerenciar marca. É o que vocês fazem no início.

Qual sua dica para conseguir um estágio?

Carla Miranda: Para conseguir um estágio funciona ficar olhando no CIEE [Centro de Integração Escola-Empresa]. Algumas vezes as empresas divulgam as vagas lá. O que não funciona é você ir entregar o currículo na empresa, isso não existe. Eu acho que ter um primeiro contato com a empresa por Facebook, Linkedin tem mais chance de ser bem-sucedido do que você tentar mandar um currículo. Para quem você manda? Para qual editor? Não é o editor que recruta. Quem vai recrutar, em empresas grandes, é um processo integrado que passa pelo RH. O processo de estagiário é igual. Vai passar por essa seleção no Vagas.com, que é o sistema online, o primeiro filtro.

Você pode mandar currículo, mas se você não se inscrever nesse processo, como será analisado? Então, você tem que ficar atento ao processo das empresas.

dicas

Como o estudante pode ir além do que é dado da faculdade?

Resposta: Tem que acompanhar locais como o site do Knight Center, do Poynter Institute. Tem que acompanhar as revistas, como a Columbia Review, que a ESPM publica, mas que também tem o site americano. A gente tem que acompanhar o que está acontecendo no nosso mercado porque às vezes há uma mudança, uma tendência ou uma coisa que está vindo pela frente, e ela não chegou nem à redação e nem à faculdade. Então a gente tem que fazer faculdade, mas nessa perspectiva, não ficar fechado no que está fazendo.

Se quiser encarar isso, há inúmeras associações que oferecem cursos online, gratuitos, que vocês vão precisar no futuro. Jornalismo com banco de dados, curso de raspagem de dados, cursos de visualização de dados, curso de Excel. Tem vários skills (habilidades) que se a faculdade não tem você vai ter que fazer cursos de forma complementar, antes de pisar em uma redação.

Quais são as qualificações para o jornalista trabalhar no meio digital?

Carla Miranda: Eu faria um curso de Excel, se não tem na faculdade. É a primeira dessas grandes planilhas para a gente trabalhar com dados. Sem o curso não dá nem para começar. É tão útil hoje como você saber o Word. E daí todos os outros cursos um pouco mais avançados, um pouquinho de programação, edição de vídeo. Como vocês se gerenciam em redes sociais, precisam pensar como vocês podem usar aquilo para melhorar o jornalismo, para turbinar a sua apuração, para melhorar a divulgação da sua matéria.

Vocês têm um domínio grande sobre as ferramentas, mas não absorveram ainda como usar essas ferramentas para fazer um jornalismo melhor. A gente consegue fazer um jornalismo com volume e qualidade melhor do que quando eu simplesmente chegava à redação e dizia: “Alguém conhece um psicólogo legal para entrevistar?”. Agora você vai entrar no Linkedin. vai puxar o currículo Lattes e vai achar um psicólogo especializado em criança que sofreu abuso na primeira infância de figura paterna, por exemplo. Não tem como o jornalismo não ficar melhor se a gente conseguir usar essas ferramentas todas aliando ao que tem de tradicional na apuração, qualidade, investigação.

Veja Carla Miranda falando sobre a importância do jornalismo de qualidade no meio digital:

Sair do país para estudar vale a pena?

Carla Miranda: Eu acho que depende do que você quer. Eu nunca saí para fazer cursos muito longos. Acabei de voltar da Colômbia, onde fiz um curso de duas semanas de jornalismo investigativo. Eu acho que você tem que fazer isso o tempo todo ao longo da sua carreira. Não precisa seu corpo estar fora, hoje existem diversos cursos online com uma qualidade excepcional. O sair não é o determinante, o determinante é aprender: onde você vai fazer isso não importa. Se tiver a oportunidade é bom, mas não é necessário. Além de cursos, há muito material disponível online como palestras. Basta saber o que procurar.

Tatuagem interfere na contratação?

Carla Miranda: Nunca ouvi ninguém falar sobre isso, ainda mais na nossa área, em que quase todo mundo é tatuado. Acho que, se não tem tatuagem, em algumas empresas interfere na sua não contratação (risos).

Ana Fontes (1º semestre de Jornalismo) e

Juliana Oliveira (2º semestre de Jornalismo)

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