Mulheres sobem no salto e conquistam cargos de chefia

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Mulheres buscam, cada vez mais, cargos de liderança  Foto: Divulgação

Basta checar os cargos de liderança do mercado de trabalho brasileiro para perceber o crescimento do interesse feminino em ocupá-los. Com olhar mais cauteloso e uma visão mais detalhista do que a dos homens, esse grupo apresenta diferenciais atrativos para a gestão empresarial. Essa tendência contemporânea gera estímulo cada vez maior para jovens mulheres que ainda não ingressaram no mercado.

Dados do International Business Report 2013, da consultoria Grant Thornton, afirmam que 23% das mulheres brasileiras exercem cargos de direção e, entre essas,  apenas 14% são CEOs das empresas. Mesmo com um percentual bem abaixo dos homens, o poder de proatividade feminina cresce a cada dia, chamando a atenção das jovens que também querem subir no salto.

Um exemplo é a recém-formada, em administração, Nicole Vieira, que pretende abrir sua própria empresa. Aos 22 anos, a jovem já tem espaço garantido na empresa têxtil do pai. Mesmo com pouca experiência de mercado, Nicole planeja construir seu próprio patrimônio e ocupar cargos gerenciais. Assim como ela, há 57% de mulheres comerciantes, com idades entre 21 e 40 anos, que lideram empresas que lucram mais de R$ 1,5 bilhão por ano, segundo dados do Serasa Experian de 2012.

Essa pesquisa ainda afirma que a faixa etária das executivas, chefes e presidentes empreendedoras brasileiras, varia entre 31 e 40 anos, com 27% de representatividade; seguida de 41 a 50 anos, com 25%; entre 18 a 20 anos, com menos de 1% de expressividade; e, as senhoras, com idade acima dos 81 anos, que caracterizam 0,81% do total.

Intuição feminina

Ana Luzia Rossetti trabalha mesclando cautela e emoção no cargo de chefia   Foto: Cacá Junqueira
Ana Luzia Rossetti trabalha mesclando cautela e emoção no cargo de chefia   Foto: Cacá Junqueira

Ana Luzia Rossetti, conhecida como Aninha, é gerente de operações comerciais da Rede Globo – em São Paulo e Rio de Janeiro –, além disso, é mãe e coordena um grupo de trabalhos voluntários. Ela retrata o novo modelo do feminismo corporativo. Vivenciar um cargo de relevância, em uma empresa de grande visibilidade, passou a ser um motivo de conquista profissional. “Não precisamos ser as melhores, mas podemos ter o objetivo de melhorar sempre”.

Investimentos na formação executiva são outras qualificações que as mulheres visionárias desejam incluir no currículo. Aninha também aposta na intuição feminina como forma de alavancar a carreira. “Usar sempre a intuição feminina para traçar um caminho e, com isso, usar todo potencial para investir em cursos e treinamentos”.

Uma das dificuldades encontradas pelo sexo feminino é a diferença salarial. Essa afirmação é concretizada no estudo realizado, em 2012, pelo SEADE e DIEESE, que constatou desigualdade monetária. Enquanto as mulheres recebem R$ 8,24 por hora, os homens ganham R$ 10,70.

Neste ponto de vista a hierarquia é existente, mesmo assim, os homens não são considerados ameaças diretas para o crescimento da mulher. Para Aninha, não existe hierarquia, mas acredita que haja mais líderes homens em função do histórico de mercado. “Os homens tem um perfil mais ousado que o das mulheres. Eles arriscam e isso é determinante em muitas áreas”, comenta.

Grupo de operações comerciais da Rede Globo. Patrick Toma, Izabel Figueiredo, Erick Ferioli, Aninha Rossetti, Renata Bragança, Amanda Loureiro, Leandro Luiz Costa, Gabriella Souza, Roberto Viana (esquerda para direita) Foto: Cacá Junqueira
Grupo de operações comerciais da Rede Globo. Patrick Toma, Izabel Figueiredo, Erick Ferioli, Aninha Rossetti, Renata Bragança, Amanda Loureiro, Leandro Luiz Costa, Gabriella Souza, Roberto Viana (esquerda para direita) Foto: Cacá Junqueir

Homem X Mulher

Dois funcionários da Rede Globo comentam suas opiniões sobre as diferenças de trabalhar com homens ou mulheres liderando o cargo de chefia.

Amanda Loureiro (AL) – Assistente de Atendimento de Veiculação

Leandro Luiz Costa (LC) – Assistente Comercial

DONC -Quais as principais diferenças quando se trabalha com homem ou mulher liderando?

AL – A principal diferença é que as mulheres são mais compreensivas e emocionais, sabem pensar e agir com a emoção e razão juntos. Os homens pensam mais com a razão e são mais severos com os problemas que surgem no dia a dia.

LC Fui liderado por um homem no primeiro e segundo emprego e atualmente minha gestora é uma mulher. O homem é mais direto, tanto nos conselhos como na hora de demandar tarefas, não se preocupa muito com a origem das coisas e as justificativas que os interessam devem estar ligadas ao resultado. Para adquirir sua confiança e ter uma boa relação fora do escritório, o primeiro e mais importante passo é mandar muito bem no trabalho. Com isso, a relação pessoal flui mais naturalmente e é até mais rápida comparada a uma gestora mulher, pois, com a líder, o trabalho é importante, mas não é um fator decisivo em um primeiro momento.

A mulher é mais participativa e em certos momentos, mais burocrática. Procura saber o porquê para ter mais controle e conhecimento da sua equipe. Os conselhos são mais cuidadosos, carinhosos e constantes. O resultado logicamente é importante, porém, o processo também é considerado em suas avaliações. A mulher gosta de mais atenção e elogios são sempre bem- vindos, seja de um homem ou uma mulher. Acho que o homem prefere que o elogio parta mais de uma mulher.

DONC – Você se espelha em algum deles? Por quê? 

AL – Sou mais emoção do que razão. Porém tento me espelhar nos dois modelos de gestão, porque assim você se torna uma pessoa mais maleável e de fácil adaptação a ambientes diferentes.

LC – Não tive, nem tenho problemas com estes estilos. Mas, me espelho no jeito participativo que a minha atual chefe conduz sua equipe. Essa proximidade faz com que a relação “chefe e funcionário” seja mais tranquila. Pois, quando vou à mesa dela, ela sabe exatamente como estou e o que deve fazer para me ajudar, incentivar ou dar uma “sacudida” quando é preciso.

Cacá Junqueira (6º semestre de Jornalismo)

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