Conheça as atividades do jornalismo em quadrinhos

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As inovações na linguagem jornalística trazem diversas maneiras de se comunicar com o público, sejam crianças, jovens ou adultos. Alexandre de Maio, jornalista, quadrinista e atual gerente de tecnologia do Catraca Livre, fala sobre sua experiência em optar pela linguagem diferenciada do jornalismo em quadrinhos e comenta sobre os desafios desse mercado.

Alexandre Maio

Foto: Arquivo pessoal
Ilustração com autorretrato de Alexandre de Maio

Em 1999, Alexandre iniciou sua carreira no jornalismo em quadrinhos lançando a revista Happy Brazil, onde abordava os temas sobre rap e hip-hop. “Eu tinha 16 páginas de quadrinhos, onde eu contava histórias reais que aconteceram comigo, no meu bairro e coisas um pouco nesse sentido”, disse. Em 2010, a pedido da editora do Catraca Livre, veículo para o qual trabalha atualmente, Alexandre pôde colocar em prática o jornalismo em quadrinhos.

Joe Sacco, reconhecido mundialmente por sua combinação de jornalismo e quadrinhos, autor dos livros Palestina: uma nação ocupada, sua continuação, Palestina: na faixa de Gaza, e Área de segurança: Gorazde, que foram publicadas no Brasil pela Conrad Editora, é uma referência para Alexandre.

“Já estava curtindo Joe Sacco, tinha alguns trabalhos de jornalismo em quadrinhos e achei bacana a ideia. Em 2009-2010 já estava há mais de dez anos trabalhando como jornalista, tinha lançado um livro de quadrinhos em 2006. Então juntei minhas duas paixões e naquele mesmo ano de 2010 nasceu a história de fazer jornalismo em quadrinhos”, conta.

Linguagem

Ainda que a linguagem seja diferente, Alexandre explica que permanece nos padrões jornalísticos. “A princípio nasce nos padrões jornalísticos: reunião de pauta, relevância da pauta, fontes, como se organiza uma matéria escrita”, diz. “A organização é bem parecida, mas em vez de ter um fotógrafo, tem um desenhista para fazer a matéria, então ele vai ao lugar para ver as pessoas”, completa.

Segundo ele, todos os elementos essenciais do jornalismo precisam estar na atividade. O jornalista citou a ética, a apuração e a preocupação com as fontes diversas, diz. “É fundamental, que para ser jornalismo em quadrinhos a parte do jornalismo em si precisa estar muito bem feita”, enfatiza.

Na prática, embora tenham dinâmicas diferentes, na prática jornalismo e quadrinhos se auxiliam. Ou seja, para dar certo o jornalista precisa saber desenhar, afirma Maio. “Ou a pessoa vai ser um quadrinista ou desenhista que conhece muito bem do universo do jornalismo ou um jornalista que conhece a dinâmica e o processo de fazer quadrinhos”, explica.

Formação

Não há uma faculdade específica para quadrinista, mas existem cursos para entender a dinâmica desse universo, como o processo de produção de um quadrinho. “Eu acho que a pessoa precisa praticar, começar seu blog e fazer isso, tentar espaço em algum veículo, pôr a mão na massa, começar a praticar para achar o próprio jeito de fazer isso”, diz Alexandre.

O jornalismo em quadrinhos é bem recente, diferente da crônica ou fotorreportagem, que já existem há muitos anos. “O principal é começar a praticar, assim você vai pegando o jeito, fazendo um nome e foi nesse sentido que eu comecei a fazer”, afirma.

Desafios

Como tudo que é novo, sempre existe o lado difícil, dos desafios, e com o jornalismo em quadrinhos não é diferente. “Qualquer inovação tem sua parte difícil que é o fato de não ter espaço muitas vezes nem dentro do jornalismo, nem dentro dos quadrinhos”.

O jornalista diz que o desafio do mercado, na prática existe, assim como em outros. “Talvez você não tenha grandes públicos, porque é uma coisa que as pessoas não estão acostumadas. Você tem as barreiras dos próprios editores que não sabem lidar muito bem com essa linguagem, não conhecem ou ficam com o pé atrás na hora de dar um espaço”, explica.

Mas o mercado não é o único obstáculo enfrentado no jornalismo em quadrinhos. Na opinião de Alexandre, o maior desafio enfrentado na área é o deadline, pois é ainda mais apertado do que o do jornalismo tradicional. “O processo de desenho é bem mais demorado e você vai ter que tentar um traço mais simples”, diz.

Além disso, a escrita torna-se diferente, utilizam-se menos palavras e mais ilustração, permanece a comunicação visual. “Um outro desafio no quadrinho é equilibrar, porque você está falando de texto jornalístico. Então é equilibrar texto e imagem de uma forma legal”.

Larissa Lima – 4º semestre de Jornalismo

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