Félix Melo, da webrádio Datafoot, fala sobre cobertura de esportes pela internet

 

O professor de educação física e hoje proprietário da webrádio Datafoot, uma das maiores do país, Félix Melo, cedeu uma entrevista ao Blog, e nela foram abordados diversos assuntos, como a função e a importância das webrádios, a leitura de notícias provenientes da internet pelo público e a cultura do Brasil, em que se prioriza apenas o futebol.

P: “Você se formou na FIG Guarulhos em educação física em 2005, e hoje é proprietário do portal de futebol DataFoot. Como se deu a sua trajetória de universitário até diretor dessa Web rádio? ”

R: “Minha primeira formação foi em Educação Física, sou formado em Pedagogia também e estou terminando a Licenciatura em História.

Atualmente sou professor de Educação Física, pelo Governo do Estado de São Paulo, me encontro designado professor e coordenador pedagógico no ensino Fundamental II e Médio.

Fui atleta até as categorias de base do Clube Guapira no futebol de campo e juvenil no futsal, amante por esportes e principalmente do futebol, fiz minha graduação em educação física pensando em lecionar em escolas, mas o futebol estava na minha vida, foi inevitável. Atuei como preparador físico das equipes sub-15 e 17 do próprio Guapira.

Minha trajetória profissional no futebol de alto rendimento começou em 2000, quando fiz estágio por 6 meses com o professor Carlos Alberto Parreira e Moraci Santana, e então comecei a fazer scout (números de jogadores e times, ex: passes, chutes, carões…)

Fui convidado para trabalhar na Rádio Record com o finado Fiori Gigliote, ícone no radio esportivo brasileiro.

Foram dois anos, com a média de 100 jogos por ano. A rádio se localizava um andar abaixo da TV Record, e eu geralmente via integrantes dela. Em um desses encontros, veio o interesse da TV em meus serviços, e no ano seguinte estava sendo responsável pelo scout nas transmissões esportivas. Era um sonho sendo realizado, mas o melhor ainda estava por vir.

Após 3 meses, veio o interesse do Palmeiras no meu serviço, e trabalhei lá por 3 anos, algo que nunca imaginei, tendo em vista o tamanho deste clube.

Após minha passagem pela SEP (Sociedade Esportiva Palmeiras), fiz vários freelas (do termo “free-lancer”, trabalho em que não há contrato) de scouts, para treinadores e clubes de médio porte.

A criação da rádio foi uma visão de futuro. Em 2013, pensei nas novas arenas e uma nova opção de jornalismo, a Datafoot, uma das primeiras Webrádios a transmitir.

Desde a primeira partida na Arena Corinthians e Allianz Parque, somos referência em questão de Webrádio.

P: “Como você descreveria o Web rádio para alguém que não conhece e gostaria de se inteirar? Hoje, qual a sua principal função para o funcionamento do site?”

R: “Web rádio é o futuro, você ouve em qualquer lugar do planeta através do aplicativo. Simples e dinâmico. Vários colaboradores compartilham nosso conteúdo, atualmente, eu faço tudo, coloco os conteúdos no site e redes sociais. Nosso diferencial é o ‘ao vivo’, pós-jogo e entrevistas coletivas na zona mista, ao vivo.

P: “Não há dúvidas de que o Web rádio abrange um grande público e que é um site de sucesso. De onde surgiu essa idéia?”

R: “Ouvindo as primeiras (Webrádios), Web Coringão, Web Verdão e Web Lusa. Pensei, ‘por que não criar uma imparcial, sem clubismo? Deu certo.”

P: “Você acha que o público desconfia da veracidade das suas notícias simplesmente por serem realizadas na internet?”

R: “Eu acho que não, porque quem gosta e acompanha futebol geralmente lê em todos os veículos, se for mentira descobrem, mas há muitas Fake News (termo usado para notícias falsas).

 P: “Além de tudo o que você me relatou e de ser o proprietário da Datafoot, você também é professor. Como é se dedicar ao site e ao mesmo tempo lecionar?”

R: “Sou professor de educação física, história e biologia, e atualmente estou designado coordenador pedagógico. Não é fácil, no ano de 2016 fizemos 117 transmissões ao vivo do estádio, em 2017 foram 78, esse ano já foram mais de 30. Tenho que trabalhar muito, e me dedico muito na escola, mas nas horas vagas consigo transmitir os jogos.”

P: “Como você é professor de Ed. Física, é comum que tenha um conhecimento de diversos esportes e incentive a prática deles. Infelizmente, no nosso país, só se fala de futebol, e não se dá a merecida importância para outros esportes. O que você acha sobre isso? Você pratica algum esporte que não seja futebol?”

R: “Pratico corrida e musculação além do futebol. Infelizmente Brasil se criou uma cultura errada, em que priorizamos apenas o futebol.

Quando ministro aula, divido em teoria e prática. Para os mais novos, ensino habilidades básicas, motoras e manipulativas.

Para os alunos de Ensino Fundamental, começo a dar fundamentos e inicio um sistema de jogos. No Ensino Médio geralmente deixo-os jogar.

O futebol é predominante, mas sigo o currículo do estado, com Basquete, Atletismo e até Rugby, mas tudo com muita dificuldade. Em muitos casos há a rejeição dos alunos, mas me contento, aliás, aqui é o país do futebol.”

P: “Agora que você tocou nesse quesito, você acha que o Brasil ainda é o país do futebol? Tendo em vista que os campeonatos Inglês e Espanhol, por exemplo, têm uma média de público infinitamente maior, um futebol de nível mais alto e mais investimento”

R: “Não, pois nossos dirigentes são amadores, ou seja, levam o nosso futebol no amadorismo e consequentemente o inferiorizam em relação aos grandes centros.”

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